7 Coisas Estranhas do BDSM Que “Cinquenta Tons de Cinza” Não Conta

Você já deve ter visto, lido ou pelo menos ouvido falar sobre o livro que fez muito sucesso nos últimos anos, “50 Tons de Cinza”, por isso provavelmente você já tem uma ideia do que se trata.

Esta história se tornou uma espécie de “Introdução ao BDSM” – Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo” para dezenas de milhões de pessoas, o que não é nada bom, já que ele passou a ensinar de forma errônea.

Por isso, a professora e socióloga associada da Universidade de Gallaudet, nos Estados Unidos, e membro de um grupo de BDSM, Julie Fennell, explicou um pouco a respeito das 7 coisas estranhas do BDSM que “Cinquenta Tons de Cinza” não contam.

7. Muitas vezes não envolve nenhum tipo de relação sexual

Cerca de 100% do BDSM retratado em Hollywood tem a ver com sexo. Fennell entrevistou cerca de 70 membros de sua comunidade para perguntar o quão importante era a penetração para sentir prazer com o BDSM.

Apenas 29% disseram que era um fator muito importante, 21% disseram que não era nada importante e os outros 50% responderam que dependia da situação.

Assim, de fato o ato sexual em si não é a a parte mais importante e principalmente única do BDSM.

6. Se quer aprender sobre BDSM, há toda uma comunidade esperando por você

Em 50 Tons de Cinza, a protagonista submissa Anastasia encontra o dominante Christian Grey quando vai entrevistá-lo para o seu jornal da escola.

Eventualmente, ele a leva até a sua casa para mostrar seu calabouço privado e a faz assinar um contrato sexual.

Embora a comunidade BDSM seja repleta de casas com calabouços particulares, alguns deles provavelmente em um bairro perto de você, também está cheia de grandes calabouços profissionais, onde você pode ter aulas e se envolver em falcatruas excêntricas sem o risco de ser massacrada por um estranho.

Fennell recomenda encontrar um desses lugares, caso toda essa conversa de BDSM tenha despertado a sua curiosidade: “Eles têm membros, noites de reuniões regulares, patrocinam eventos de ensino regularmente e dão festas. Há uma expectativa nesses eventos de que as pessoas estarão atuando como monitores, fazendo com que as pessoas sigam suas regras.”

Esses monitores podem ser funcionários do “calabouço”, ou voluntários. As pessoas escrevem livros e dão aulas sobre como praticar BDSM com segurança.

5. Praticar BDSM “em público” o torna mais seguro

Preste atenção: se um homem estranho te convidar para ir ao seu calabouço particular e pedir para você assinar o tal do contrato, como acontece na história de 50 Tons de Cinza, não vá. Você pode acabar em uma série de sacos de lixo.

É muito mais seguro experimentar o BDSM em festas organizadas pela comunidade.

Mas mesmo que você esteja fazendo isso em um grupo, certamente a coisa toda a respeito de “o prazer da dor” é terrivelmente perigosa, certo?

Bondage, Sadismo e masoquismo não são geralmente palavras que associamos a atividades “seguras”, por isso as pessoas que o praticam devem estudar e aprender para não acabar se machucando ou com um final ainda pior.

4. A própria comunidade BDSM se policia

A coisa mais perturbadora a respeito de 50 Tons de Cinza é que de alguma forma é real, existem homens assustadores por aí, que entendem de BDSM e sentem desejo em seduzir qualquer menina que conseguir.

De acordo com Julie, aconteceu algo assim em sua comunidade: “… Eu tinha criado um evento em uma rede social. Um certo número de pessoas, incluindo esse cara, tinha confirmado presença, apesar de eu não saber quem ele era. Mas no evento não havia meu endereço, eu não passo para ninguém, exceto quem eu conheço. Duas semanas antes da minha festa, alguém descobriu através dos jornais que esse cara tinha acabado de ser preso por molestar uma garota de doze anos de idade.”

É por isso que você nunca deve deixar o seu endereço em algum lugar público, inclusive nas redes sociais.

Quando isso aconteceu com Julie, toda a comunidade postou várias fotos, em diversos fóruns que este cara estava na rede social, e demorou menos de uma hora para que toda a comunidade soubesse que esse cara havia sido preso por ser um criminoso sexual.

Essa é definitivamente uma das vantagens para as pessoas que organizam as suas comunidades via internet; é incrivelmente fácil de compartilhar informações sobre pessoas perigosas, mas nem sempre isso ocorre imediatamente.

3. “Submisso” não significa o que você provavelmente acha que significa

Mesmo que você não conheça nem ao menos um tom de cinza e nunca colocou algemas em alguém a fins eróticos, provavelmente sabe que a relação entre “dominante” e “submisso” é uma grande parte do BDSM.

A maioria das representações tradicionais dessas relações retratam a pessoa dominante sendo totalmente responsável.

Enquanto isso, o livro e filme 50 Tons de Cinza, que atualmente arrecada dinheiro a rodo, retrata uma relação que é menos ilegal, mas que a pessoa dominante detém o poder.

Em uma relação dominante/submisso saudável, a realidade é exatamente o oposto. A parte inferior determina o que acontece.

O “submisso” deve ter o poder absoluto na hora H, é questão de confiança.

2. BDSM pode ser saudável para a sua saúde mental

Existe uma grande quantidade de evidências anedóticas entre pessoas da comunidade BDSM sobre o quão útil pode ser rever uma cena traumática de abuso com o poder de detê-la.
Há algum ceticismo profissional a respeito de que este é ou não uma boa ideia, mas os cientistas ainda não estudaram este tema a fundo e com rigor.

O que se pode dizer é que, quando pesquisadores da Holanda estudaram 1.300 pessoas praticantes do BDSM, descobriram que o povo que usa chicotes e correntes tinham cérebros estatisticamente mais saudáveis.

Enquanto Christian dos 50 Tons de Cinza entrou para o BDSM com o intuito de lidar com o abuso ocorrido no passado, a ciência diz que uma história com o trauma do abuso não faz com que essa pessoa seja mais propensa a se tornar um aficionado do BDSM em relação às pessoas que não sofreram este tipo de trauma.

Essa pesquisa também provou que é mentira o mito de que pessoas que praticam BDSM tendem a ter problemas com o “sexo normal”.

Então, quais os benefícios para a saúde mental podem ter os participantes do BDSM?

De acordo com Julie Fennell “…você concorda de antemão que o ato termina quando alguém começa a chorar. E o choro é uma parte importante – ele ajuda a limpar os hormônios do estresse e aumenta a produção de endorfinas. É por isso que fazemos.”

E essas coisas vão muito mais além da flagelação, ou mesmo simulações de estupro.

Julie conta sobre um projeto “Comunidade Catharsis”, no qual uma mulher concordou em pesquisar histórias de experiências negativas e temores sobre a subcultura BDSM das pessoas que frequentavam.

Essas histórias vieram de diversos estilos de pessoas, desde as que estavam desiludidas com a comunidade até aqueles que temiam que estavam ficando muito velhos para se divertirem da mesma forma que costumavam se divertir.

Ela teceu essas histórias em um poema e o leu em voz alta para um grupo. Todo o processo levou semanas e o dia em si foi incrivelmente emocional, de modo que ela se acalmou golpeando uma mulher que tinha acabado de conhecer (com seu acordo prévio, é claro).

1. Chicotes e correntes são apenas o começo

Hollywood tem uma ideia extremamente estreita em relação ao tipo de ferramentas que a comunidade BDSM usa: chicotes e correntes.

A quantidade de objetos utilizados para a prática de BDSM são inúmeros, e muitos criados pelos próprios participantes.

Como a ideia geral desta prática é a de ter um dominante e um submisso, e como dito anteriormente sempre com o consentimento de ambos, o importante é seguir os seus papéis, sempre de forma responsável e com muito respeito.


Que parte dessas coisas estranhas que o livro não conta mais te surpreendeu? Você já leu e sentiu vontade de experimentar o BDSM? Comente abaixo!

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Um comentário

  1. O problema é onde achar essas festas ou alguém do meio. É tudo tão secreto que fica difícil encontrar

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